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Pensar no Novembro – músicos e poesias

Teria feito anos, o Herberto Helder.
No dia 22 fez uma querida amiga, no dia 23 mais uns quantos que tanto estimo, no dia 24 um querido amigo e colega assim como o poeta H.H.   Hoje marca o dia de aniversário mais alguns que me são queridos (meus primos – e cunhado, e uma amiga querida).   Este ano tem sido um mês que começou como habitualmente para mim, com um dia lindo, o de nascimento da minha querida sobrinha mais velha, de outros belos aniversários de gente que estimo, e, de partidas.  O tempo vai passando e é isto, todos os meses assim a começarem a ter ambas coisas. Dito isto, deixo um beijo a quem aqui passar por esta publicação, e um abraço

 

(poema de H.H.)

A PAIXÃO GREGA

 

Li algures que os gregos antigos não escreviam necrológios,
quando alguém morria perguntavam apenas:
tinha paixão?
quando alguém morre também eu quero saber da qualidade da sua paixão:
se tinha paixão pelas coisas gerais,
água,
música,
pelo talento de algumas palavras para se moverem no caos,
pelo corpo salvo dos seus precipícios com destino à glória,
paixão pela paixão,
tinha?
e então indago de mim se eu próprio tenho paixão,
se posso morrer gregamente,
que paixão?
os grandes animais selvagens extinguem-se na terra,
os grandes poemas desaparecem nas grandes línguas que desaparecem,
homens e mulheres perdem a aura
na usura,
na política,
no comércio,
na indústria,
dedos conexos, há dedos que se inspiram nos objectos à espera,
trémulos objectos entrando e saindo
dos dez tão poucos dedos para tantos
objectos do mundo
e o que há assim no mundo que responda à pergunta grega,
pode manter-se a paixão com fruta comida ainda viva,
e fazer depois com sal grosso uma canção curtida pelas cicatrizes,
palavra soprada a que forno com que fôlego,
que alguém perguntasse: tinha paixão?
afastem de mim a pimenta-do-reino, o gengibre, o cravo-da-índia,
ponham muito alto a música e que eu dance,
fluido, infindável, apanhado por toda a luz antiga e moderna,
os cegos, os temperados, ah não, que ao menos me encontrasse a paixão
e eu me perdesse nela
a paixão grega.

 

my pup and the sea (I think he was 3, almost as old as the sea - no wait - as me -- no wait -- as ...)


 


 

 

.

Já se passaram alguns dias desde que partiram duas pessoas do nosso mundo da música, que tanto impacto tiveram. Demorei um pouco para escrever esta *nota, porque além de chocada pelas partidas, e solidária com a dor de filhos e amigos de Tita (a Helena Lamas Pimentel), no dia que seguinte  nos deixava o José Mário Branco.
Mostrava o Tomás (um amigo, e ainda na imensa dor da perda de sua querida mãe) um lindo concerto que faz as delícias de qualquer um.
Vou deixar aqui um registo desse concerto, lindíssimo, felizmente captado pela RTP2,
(é tão bonito este concerto, com gente que tanto estimo e de longa data, ali junto dele, a dar corpo à música)
O que dizer sobre o José Mário?

Acho que ser-me-á mais fácil deixar o registo do que escrevi algures por aí, no dia a seguir à notícia de sua partida.

 

A primeira vez que ouvi trabalho de Zé Mário Branco , os sons (orquestração, arranjo..).. captaram-me, e faziam brilhar ainda mais e abrir o mundo . do Zeca. 
O vinil velhinho, de som quente como o vinil que nos traz todos os timbres que nos traz, tem sobrevivido travessias de mar, e espero que ele um dia regresse de onde está (mas tenho-o todo de cor, cada linha e som de cada arranjo, assim como a linda voz do Zeca). É um som quente que percorre a alma, enquanto passa tal disco na mente. É som que traz um sol que aquece e que adoça a chuva que cai (neste momento, já vou na música ”Maio maduro Maio”, percussão, a guitarra que conduz e baixo.. a voz, segue um esvoaçar de flauta, percussões, baixo, guitarra.. trompete.. aaah… (este disco não envelhece)…

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(segue uma versão mais longa do que está no original, acima)

A primeira vez que ouvi trabalho de Zé Mário Branco , os sons (orquestração, arranjo..).. captaram-me, e faziam brilhar ainda mais e abrir o mundo . do Zeca. 
Na altura não sabia que eu própria, ao me fascinar por outros instrumentos para poder sentir aquele prívilégio de crescer entendendo e sentindo como se voava em liberdade pelas cifras que se apresentavam numa partitura para quando, entre colegas, se pedia a voz de cada um – livre – e dentro dos parâmetros que nos fizessem sentido ou naturais à mensagem tocada, e que por norma na altura apenas as conhecia no Jazz mas que, alertados a crescer mais plenamente era de ir com outros olhos a outra das bases – as cifras do Baixo Cifrado (aquelas da época do Barroco). O mundo não era de modo algum lusófono nessa altura, apenas aquele que havia em casa, e, ainda sem atingir altura (comprimento de braços) por falta de idade (pfffffffft) senão para 5 / 7 da extensão desse novo instrumento (por isso sendo-me adjudicado um do mesmo naipe, mas na sua versão ‘baixo”, mantendo um bocal regular mas com gatilho que transpunha os últimos 2 / 7 do’ instrumento’ daquele que era *regular, e para minha felicidade devido a essa falha que a falta de idade traduzia no meu corpo no início da adolescência, apanhava – devido ao gosto do regente (quiçá, o Regente-Mor também) – passava a ”colar-me” (por assim dizer-se) ao ”papel” de um exuberante baixo, dobrando-o (xiiiiiiii era com cada baixo que se punham obras a bombar, e eu cheiinha de medo de falhar, Exigia-se cada coisa, meu Deus).. Voltando poucos anos antes, e ainda sem 10 anos tendo feito, era aquele disco, enviado por nosso irmão mais velho para casa, do outro lado do mar, onde só em casa havia mundo Lusófono e onde realmente ouvia – este nosso mundo de cá.. (mesmo que tingido fosse por familiares e amigos destes, claro), e, que bonito que aquilo era.. Encantava-me. Também enviou um do Sérgio Godinho, claro está, tinha ele regressado pouco antes do ultramar, já de farda despida.. (são e salvo, graças a Deus). Não imaginava que mais tarde aqui viria eu parar deste lado do mar, de forma um pouco mais fixa, na década seguinte, e depois dessa mais fixa ainda devido às vicissitudes da vida.. 
O vinil velhinho, de som quente como o vinil que nos traz todos os timbres que nos traz, tem sobrevivido travessias de mar, e espero que ele um dia regresse de onde está (mas tenho-o todo de cor, cada linha e som de cada arranjo, assim como a linda voz do Zeca). É um som quente que percorre a alma, enquanto passa tal disco na mente. É som que traz um sol que aquece e que adoça a chuva que cai (neste momento, já vou na música ”Maio maduro Maio”, percussão, a guitarra que conduz e baixo.. a voz, segue um esvoaçar de flauta, percussões, baixo, guitarra.. trompete.. aaah… (este disco não envelhece)…

 


Helena Lamas Pimentel
–  a Tita.

Lembro-me tão bem dela, na altura tendo chegado ao país pouco antes e, tal como um querido amigo (também ele, recém chegado) e colega – o meu querido Clausíssimo (Claus Nymark), juntamente com outro amigo chegado e colega – o Eduardo Santos, ela nos enviava a escolas e alguns outros locais para nos verem tocar e sensibilizar para a música. Creio que na altura éramos um quarteto: dois trombones, um trompete, mais a namorada na altura de um deles – no clarinete. Se me lembro bem, íamos munidos de tocatas para sopros.   O Eduardinho, que era mais amigo de falar – apresentava-nos, habitualmente.   Ela pedia, e lá íamos (quem poderia recusar um pedido de tal senhora?)
Era a elegância em pessoa,  dinâmica, e de um sorriso contagiante.

Nota de Rui Vieira Nery (FB) – sobre a professora Helena Lamas Pimentel
LINK

 

 


In memoriam:
A  querida Clotilde

clo_2013april ---- Clotilde Rosa  - G.A.

Notável talento e brilho na composição, e no seu instrumento de eleição.
Sim, posso ser tida como sendo subjectiva no caso dela, mas ela não precisava da subjectividade dos amigos ou da sua querida família para se perceber que se estava perante um dos nossos grande vultos..
Não sabia eu que quando, atrapalhada para esconder o meu bloco de rascunhos enqanto conversávamos, na altura de traçar estas linhas para a captar sem que ela se apercebesse de o estar a fazer, que não a tornaria a apanhar estando eu munida assim com semelhante bloco de rascunhos.. O mundo que nos unia era um de ternura, onde cabia fraternos amigos entre os quais o filhote (Zé) com seu magnifico violino, o nosso genial e tão querido Jorge Peixinho (um gigante, de coração e talento, tal qual era e o sempre fora, tantas saudades que tenho também deste doce e terno amigo) , e,  mais uns quantos que com prazer e gosto enquanto penso neles, me aquecem a alma..
Faz hoje dois anos que ela nos deixou de acompanhar neste ‘plano’ mas connosco sempre se manterá.
Tenho saudades dela.

Ela tinha no Jorge um maninho mais novo, dizia, cheia de carinho e muita saudade, enquanto expressava orgulho nas novas gerações de compositores. Uma enorme mulher num país pequenino.
Ficam aqui beijos, e um abraço muito caloroso aos seus queridos filhos e outros familiares,  aos restantes amigos, e aos inúmeros alunos
(Escrevi que temos um país pequenino? Sim, É pequenino, mas, no meio de tanta pequenez, tem havido e há gente de dimensão imensa. E não, nem me refiro apenas no que respeita à área da música, onde eles têm andado ou andaram a desbravar caminho numa imensidão de cinzentismo amorfo e labrego. )

Clotilde Rosa (a photo taken with a very old fangled phone - G.A.)
Clotilde Rosa (a photo taken with a very old fangled phone – G.A.)

 

 


 

 

 

 

 


Prelude & Basso Ostinato, Ballada, Prelude, Harlem Mist, and Angelico (- and – I suppose I may be tempted to leave a Haiku – but – only after listening to Angelico or the previous prelude. Hmmmm – perhaps a Sicilian Tercet…)

 

Ah, but, I must soon stop hovering and awaken.

(ok- it’s true I did see the sun rise – but – I’m still in that blue hour mode)

__________
Good morning.

 

 

(Prelude & Basso Ostinato

 

 

 

 

(Ballada)

 

 

 

 

(Prelude – from the ”Petite Suite”, performed by M. Henriques)

 

 

 

 

(”Harlem Mist” – from the album *Wilderness)
 

 

 

 

(”Angelico” – from Musica Callada  / Book 1 – 1)

 

 

 

(haiku)


Dripping rays of light
trickling through – key after key
as the gentlest rain

 

 

 

 

 

 

 


(Sicilian tercet)

 

trickling, A sweet torrent mist in the night,
adrift mid-air then settling  in layers,
wraps yon blue hour as it comes to full height

 

from that moistened, warm heart that drifts and sails
aloft, mid-air then settling in prayers
as the blanket is woven –  for one’s trails

 

 

 

 

 

 

 

 

_________–_______________

 

 

 

 

 

 






Ok – ok – I had seen the following video posted and had saved its LINK  to watch later when I’d come back .
(so I’ll leave it here as well, for when I come back). It was to have been posted yesterday, but I got sidetracked.

( I suppose I can also leave a link with the full proceedings, https://youtu.be/j5u1skEoqLs?t=354 )

 


Wishing all a nice day –

close up photo of dog wearing sunglasses

Photo by Ilargian Faus on Pexels.com

 

 

 

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The Cerulean Lining

Between Night and Day, when… – when
the balance between the ”subjective”
and the ”objective” in sight
is at that magical number, and evened;
when one can still feel the protection
of the blue overcoat, an overcoat that
is there
as a smile of a Cheshire cat that begins to reveal what’s inside and out, as the universe
begins to unravel before our eyes still shielded
from a lining
(a cerulean lining – a cloak of stars / a coated moving marble, the moon dancing in between).
It is such a special moment, in an apparent silence
where the spheres begin to hum to another key
(Another key?).

 

 

FinalTwilight_Lua_GuidaAlmeidaFoto

 


©Written and published elsewhere, by me – August 5, 2016  

 

 

 

Speaking of ”keys”, I’ll leave a Tony Williams gem..
I was searching youtube to just bring one of its tracks, but, it’s hard to choose one.
I don’t usually like to place a full recording, but, he’s no longer with us and it is hard to choose.

Wishing all a wonderful week.

 

 

 

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Astraeus unBound

 

There is an absence of Time when dusk comes upon the soft blue blanket, ebbing ever so gently.
I hear only the surface, a supple murmur,
Coeus is shifting
as I sink into Panthalassa’s ghostly remains.
Remains?
Nothing remains but the soft whisper
growing louder
as each grain pronounces an astral beat
within a song of the ages.

 

 

 


 

sandbox_GuidaAlmeida

 

 

 

 


(© originally published without its title elsewhere, August 25, 2017)

 

  • Astraeus and The Blue Hour – part two***
    (Astraeus unBound)

Astraeus and The Blue Hour – part one
(Astraeus Bound)

Astraeus and The Blue Hour – part three
(Astraeus & Zephyr)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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nas margens

At The Shores of a Greater Go(o)d… Nas margens de um Deus maior…



 

© Guida Almeida

sitting at the shores, I hurriedly await ,

ah…

here.