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Cognisance

Legislação Régia (1836)

 

 

LINK – http://legislacaoregia.parlamento.pt/V/1/16/88/p22 

 

Screen Shot 07-31-19 at 12.17 AM

 

 

 

LINK / LIGAÇÃO   –    http://legislacaoregia.parlamento.pt/V/1/16/88/p22 

 

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Mal vejo os dedos e no entanto vejo-o ali, esvoaçante, junto a um conto antigo que se desnuda conforme a noite avança na sua concava natureza, por esta esfera

***
Desvendado o firmamento, um risco lunar timidamente esboçado, cortante o seu fulgor enquanto rasga as frias trevas da noite, rapidamente se passou para além de meu horizonte.

( horizonte?  O horizonte é algo que nos transcende, como a pele de uma maçã ao se percorrer o seu perímetro ou profundidade e  se   torna
mutável ).  **
Olho para cima e ei-lo, o Pégaso esvoaçante, móvel porque me mexo, mesmo que aqui parada aparento estar.
Parada entre as sobras das sombras que se criam e se desfazem a cada instante enquanto tomam corpo noutros mapas celestes e que no entanto me enxergam aqui como se parada no tempo pelo tempo que duro, estou.
Serei um palmo de tempo num corpo que mexe,  ptolemaico,  redondo,  o seu som molhado e seu trajecto girante  junto à chama que lhe faz anil a meus olhos quando aqui não estão.   
Pelo horizonte me meço e por ele estremeço ante o astrolábio que me concedeu o Navegador-Mor. Por vezes anda mal tratado, caindo ao chão como um qualquer par de óculos que me esqueço de usar… Encontro-o quando o penso perdido,  no olhar do cão que encosta o seu nariz ao meu, numa voz vizinha que me chama e me pede um chocolate quente, noutra que se propõe a cortar-me os longos cabelos ou numa criança, rabina, que não entende a razão que o cavalinho que montara num supermercado e que muda de cores – parou. Ele tem uma capacidade em me surpreender, como quem diz – ”Estou aqui, sua tonta”.   Perdoa-me os meus defeitos, o nónio foi feito por uma matemática sem a mácula.

Mal vejo os dedos e no entanto vejo-o ali, esvoaçante, junto a um conto antigo que se desnuda conforme a noite avança na sua natureza concava desta esfera.  ***

 

 

Dal Segno (𝄋)  al Codetta (⊕)   & /   al Coda (⊗ ) 

|:


***(:| |:)

  𝄋 

 

(Mal vejo os dedos e no entanto
vejo-o ali, esvoaçante, junto a um
conto antigo que se desnuda
conforme a noite desta esfera
avança, na sua natureza,
concava.)


***  (:|  or    |: & :|)

***(alt. 1º⌋   &  ⌊2º ending  to repeat signs – or – straight 1x repetition  )
(alt. – Segno )

(𝄋)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


(© the above transcript was originally writen elsewhere – Decembre 23, 2017)

 

 

 

 

 

 

PianoCliffNo3_GuiAlmeida

piano cliff III – © G.A

 

 

 

   (Codetta  / Coda   & DcC-Fine ∑ ) :

Agora não liguem, o que se segue são aqueles meus exercícios em modo – ”Resnais”,  e também  próprios de quem lida (por exemplo) com contrapontos diversos que,  podem não alterar a Harmonia estructural (pelo menos de forma significativa), porém,  dizem de forma especifica quando isolados coisa diferente – na  mesma linha.
(-coisa de músicos, portanto, não liguem).

 

 

 

( ) 

 

***   ( |: & :|)

** ( horizonte?  O horizonte é algo que nos transcende, como a pele de uma maçã ao se percorrer o seu perímetro ou profundidade e  (que)  se   (con)torna  ( , )
mutável ) .

( o horizonte?  O horizonte é algo que nos transcende como a pele de uma maçã ao se  percorrer o seu perímetro ou profundidade e  se  contorna 
mutável ).

( o horizonte?  O horizonte é algo que nos transcende  como a pele de uma maçã ,   ao se percorrer o seu perímetro ou profundidade e (que) se contorna ,  
mutável ) .


( o horizonte?  O horizonte é algo que nos transcende, como a pele de uma maçã ao se percorrer o seu perímetro ou profundidade e que se  torna  
mutável ).

( o horizonte?  O horizonte é algo que nos transcende como a pele de uma maçã ao se  percorrer o seu perímetro ou profundidade que se  torna 
mutável ).

( o horizonte?  O horizonte é algo que nos transcende, como a pele de uma maçã ao se percorrer o seu perímetro ou profundidade e se contorna).

( o horizonte?  O horizonte é algo que nos transcende como a pele de uma maçã ao se percorrer o seu perímetro ou profundidade e  se  torna  
mutável ).

( horizonte?  O horizonte é algo que nos transcende,  como a pele de uma maçã ao se percorrer o seu perímetro ou profundidade torna-se 
mutável ).

 

( ) 

*  serei um palmo de tempo:
– ptolemaico
– ptolemaico, que mexe
– redondo
– que mexe, redondo
– girante
– que girante se mexe
– que ptolemaico e redondo e girante  se mexe
– molhado
– que redondo, ptolemaico, molhado e girante , se mexe.

(Um palmo de tempo e de som e trajecto que  molhado, ptolemaico, redondo e girante – se mexe. ) 

 

***   ( |: & :|)

 

 

   DcCF (the  ”da Capo – fine” of the Coda) :

( ∑ 

Mal vejo os dedos e no entanto vejo-o ali, esvoaçante, junto a um conto antigo que avança conforme a noite, (por esta esfera), se desnuda na sua concava natureza.

 

(Mal vejo os dedos e no entanto

vejo-o ali, esvoaçante, junto a um
conto antigo que se desnuda

 
conforme a noite desta esfera
avança,
na sua natureza,
concava.)


 

***   ( |: & :|)

 

 

 

 

 

 

 

 

_________________________________________________________________
(uma anotação, como lembrete para mim mesma)

-Ao contrário de uma partitura lida por um músico,
onde se seguiria pelas regras estabelecidas dessa arte,
os sinais que regê-la-ão em termos estructurais
(os da Repetição: ”, do Segno 𝄋 ”  , ou os  utilizados
para
Codetta ”  ”  e para Coda  ” ”   assim como aquele
que aqui emprego para designar
uma eventual componente final
de um Coda
” )  – servirão apenas como sugestão  para
uma de duas coisas, para que se siga com a disciplina
de um músico, ou, em vez disso, com uma liberdade
interpretativa de tais símbolos como se um não músico
as estivesse a ver ou num espirito semelhante ao do
Resnais.

 

Fim de texto, de quem afinal não passa de uma ”interprete” e que
olha, que – continua a olhar por exemplo, um G. Steiner, com desconfiança enquanto
levanta o nariz em protesto

(e que,
teve de se apaziguar com um amado trecho de Bach).

 

hmmmmmm… não sei se chega, creio que preciso de mais um trecho, pois acordei com mau feitio (e isto hoje está mau) –  https://www.youtube.com/watch?v=yMHMSnTQM54

 

 

 

 

 

 

 

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The Cerulean Lining

Between Night and Day, when… – when
the balance between the ”subjective”
and the ”objective” in sight
is at that magical number, and evened;
when one can still feel the protection
of the blue overcoat, an overcoat that
is there
as a smile of a Cheshire cat that begins to reveal what’s inside and out, as the universe
begins to unravel before our eyes still shielded
from a lining
(a cerulean lining – a cloak of stars / a coated moving marble, the moon dancing in between).
It is such a special moment, in an apparent silence
where the spheres begin to hum to another key
(Another key?).

 

 

FinalTwilight_Lua_GuidaAlmeidaFoto

 


©Written and published elsewhere, by me – August 5, 2016  

 

 

 

Speaking of ”keys”, I’ll leave a Tony Williams gem..
I was searching youtube to just bring one of its tracks, but, it’s hard to choose one.
I don’t usually like to place a full recording, but, he’s no longer with us and it is hard to choose.

Wishing all a wonderful week.

 

 

 

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Batatas, mas fritas.. (por construcções)

 

 

 

na busca de um qualquer paraíso, idílico  Estar, onde espírito, sentindo repouso porém sem adormecimento dos sentidos, desejos, e anseios por algo (que são coisas que nos acordam), e sem que se canse, aqui ou ali, pelas vicissitudes da vida, no se Ser e no Devir, de etapa em etapa, que se cruza / sobrepõe /  ou corre por intervalos ao longo do tempo *….

(Tempo, aquele espaço que tem um fluir, numa direcção aparente, mas que pelos filtros e limites de nosso entendimento, que por graça não é perfeito (que alivio, não o ser, não é?) – vai num ou noutro sentido, por vezes mais, por vezes como se numa geometria das esferas, em bola, ou coisa assim)

* …onde uma pessoa o idealiza, buscando-o, desejando-o, no local de origem, ou noutro,

é uma busca motora existencial, tanta vez, e para tantos, e natural, mas,
onde a vida (amor, lutas, et cetera) e seu palpável sentido, aquando / a quanto – busca, ela própria que mói, ou pode moer, é aqui que uma pessoa vê,
– o significado que pode ver (entre outras, mas sobretudo este) num maratonista.  (E não só isso, naturalmente. Nem no boneco (do maratonista), nem na busca).

 

 

 

 

 

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– que construcção mais estranha de frase a que acabo de ver, em mim, como producto que se dá ou recebe, por nós mesmos (logo à partida), mas da qual cada vez mais é difícil em lhe fugir, serão cascas de uma qualquer cebola, metafórica, do Ser / Estar / Devir ?
Não sei bem.
Mas, tanto faz (creio).

 

 

 

 

Vou fritar umas batatas. ”Ó mãe, o cão está a ladrar..”.
hmmmmm… Onde é que pus o telefone? , eu ouço-o mas não o vejo… ”Ó mãe…”
( bolas, acabei de pisar uma coisa que se colou aos pés..). Cão anda cá, não precisas ladrar assim, que coisa.. Onde está a bola?

Uf, guitar,cello study III

oil on paper © G.A


Por vezes vemo-nos de mão dada com uma banda sonora, e, caminha-se pelo corpo, e pelo dia, adentro (como se de mão dada, caminhando acompanados de uma ”voz-off”, que vai e que vem, como se em marés de consciência e de abstração mais, ou menos, aparente).

Não me sai a ‘Lacrimosa’ da cabeça, está como se num «loop» de comprimento largo, que retoma… parando de quando em quando, como que num soluçar, e retomando…
Enquanto o contraponto e linha sobe, em voz múltipla (múltipla crescente, que balouça, que embora não aumente por aparência, o faz, como que degraus, aumentando com cada balouçar como se em maré que se sucede de onda em onda, num fluir, um fluir que sobe, enquanto ondula em frente)
tangida e entoada, quase sorrateiramente (mas que não é),
ascendendo e tomando (quase delicadamente (mas que não é embora o seja) )
que sereno ou douce (num não agreste) – ou forte (que não o é embora o seja),
como quem sobe de degrau em degrau até um patamar fundo,
subindo,
com um corpo em descanso, que sobe degraus,
embora direito, cabeça para baixo embora para cima veja..
(Que dizer? como descrever?)
..como as folhas que caem (só que em contrário movimento),
que sobe,
por degraus,
de linha e contaponto que balouçam
de catarse em catarse por cada degrau

que sobe numa escadaria metafórica,
que numa obra nos leva e nos lava a alma
de toda a chuva do íntimo e interior,
que estanca e verte o sangue das emoções,
que já não se verbalizam
(para cicatrizar),
que soam no ouvido da mente e da alma
(da alma que assim sobe, através de uma banda sonora que o dia apresenta
ao abrir dos olhos antes, e depois, de tomar café)
porque a alma, ela sabe, mesmo que calendários não veja,
A alma sabe a banda sonora que escolhe no acordar de qualquer dia
– numa obra que..
num Mozart que
se veste
dentro da alma,
como um douce manto que protege,
como se um casaco (interior),
que antes de verbos tomarem a mente que acorda nesse dia, e a acompanhe,
pelo dia adentro…, como se em «loop»
de comprimento largo, que retoma…, parando de quando em quando, como que num soluçar, e retomando…

– (vou tomar o pequeno-almoço, com a banda sonora que me acompanha neste dia, de passo em passo)

______________________________________

Há dias em que
a banda sonora que se nos vem, nem é um Coltrane ou um Bach,
um Mahler, ou Hendrix, ou outro, …….
– É assim.

É um Mozart.

E,
e olhando de relance o calendário dos dias, percebe-se
percebe-se a alma que assim se decidiu vestir antes de verbos virem.
Pois, a alma sabe o que precisa vestir antes de tomar corpo no dia.
Por vezes acontece na penumbra entre o sonho e o acordar.. assim.
Ela saber como se vestir para se proteger no dia para enfrentar o frio
que pode vir,
que pode vir de qualquer dia,
que pode vir em qualquer dia.

  • Bom, o som já se está a desvanecer
    enquanto surgem os sons da rua, outras vozes que de bocas saem, de cão, de carro, de pássaro…
    Esvanece a cada passo que se dá até à maquina do café
    que está
    do outro lado da alma.

E vejo o que pousara agora na mesa, que truoxera ao descer das escadas (agora reparando que, no adormecer, na abstração do mundo, das coisas, de quaisquer calendários,
já de madrugada, já neste dia
– que adormecera,
– de caderno e caneta na mão, com um começo de um qualquer esboço de uma peça que surgira, no topor de uma mente que relaxava, de palpebras a fechar.
Parece que é um monólogo, aparente, mas que não, ..não o é.  Está-se à mesa. Há uma pessoa que fala com seis que não se vêem, porém, suas cadeiras vazias estarão ocupadas, e há mais……
Há alguns que entram e saiem. Estes são outros, outros que interagem de quando em quando mas também em ”espaço / corpo negativo”. Eles vêm e vão à mesa..

Hmmm…?
Onde está o café?
(já cá venho)

_________________________________
P.S.
(eu sei qual é a interpretação que está na banda sonora apresentada,
mas se não está anunciada, também não a farei.., e mesmo até porque, a que ouço, como digo, em forma de «loop», nem é esta, embora dela se aproxime)

– Era para publicar algo que há mais de uma semana andava a escrever, mas, como só está como que um apontamento inacabado, para eu não me esquecer o que me tem surgido ao longo da parte final do mês, sobre um assunto, não é hoje, em que acordei com a alma que se vestiu assim, que o farei..

Apenas deixo um texto que se me surge por esse apontamento.
É um poema.
É de um autor que não sou eu. No fim estará o seu nome, como autor, que ele usa para se vestir na personagem de autor.

_________________________

Of war and peace the truth just twists
Its curfew gull just glides
Upon four-legged forest clouds
The cowboy angel rides
With his candle lit into the sun
Though its glow is waxed in black
All except when ’neath the trees of Eden

The lamppost stands with folded arms
Its iron claws attached
To curbs ’neath holes where babies wail
Though it shadows metal badge
All and all can only fall
With a crashing but meaningless blow
No sound ever comes from the Gates of Eden

The savage soldier sticks his head in sand
And then complains
Unto the shoeless hunter who’s gone deaf
But still remains
Upon the beach where hound dogs bay
At ships with tattooed sails
Heading for the Gates of Eden

With a time-rusted compass blade
Aladdin and his lamp
Sits with Utopian hermit monks
Sidesaddle on the Golden Calf
And on their promises of paradise
You will not hear a laugh
All except inside the Gates of Eden

Relationships of ownership
They whisper in the wings
To those condemned to act accordingly
And wait for succeeding kings
And I try to harmonize with songs
The lonesome sparrow sings
There are no kings inside the Gates of Eden

The motorcycle black madonna
Two-wheeled gypsy queen
And her silver-studded phantom cause
The gray flannel dwarf to scream
As he weeps to wicked birds of prey
Who pick up on his bread crumb sins
And there are no sins inside the Gates of Eden

The kingdoms of Experience
In the precious wind they rot
While paupers change possessions
Each one wishing for what the other has got
And the princess and the prince
Discuss what’s real and what is not
It doesn’t matter inside the Gates of Eden

The foreign sun, it squints upon
A bed that is never mine
As friends and other strangers
From their fates try to resign
Leaving men wholly, totally free
To do anything they wish to do but die
And there are no trials inside the Gates of Eden

At dawn my lover comes to me
And tells me of her dreams
With no attempts to shovel the glimpse
Into the ditch of what each one means
At times I think there are no words
But these to tell what’s true
And there are no truths outside the Gates of Eden

(Poema ”Gates of Eden” de: Bob Dylan)

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Toots (I know he was only 94 years young, but still, it hurts the soul to see him go)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

What an amazing, beautiful soul.. what an amazing beautiful soul

(blessed, and the beautiful gift he shared with us..)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Bless you, Toots, forever

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Love saves us from our most wretched wounds, it is the only thing that overcomes death.

It is also limitless – I do not know if death is (and it’s not in my nature to care if it is or not)

‘Saudade’, a portuguese term, should it be the name of this post? No, perhaps not. I’ll just leave it like it is

 


 

 

Não sei qual a razão por detrás do nome da Mata dos Medos.  Não me mete medo algum, apenas cria, sobre, e sob a minha pele, a temperatura de uma saudade de parar a respiração, e a sensação de gravidade aumentada embora levite..

6778205-blue-roses

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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CA – um conto sonoro para o inverno dos tempos (a soundscape that is Lunar and otherwise)

 

 

 

 

 

 

Gemeos

 

Estarei ainda muito perto da luz?
Poderei esquecer
estes rostos,estas vozes,
e ficar diante do meu rosto?
Às vezes,como num sonho,
vejo formas como um rosto
e pergunto:”De quem é este rosto?”
E ainda:”Quem pergunta isto?”
E:”E com quem fala?”
Estarei ainda longe de Ti,
quem quer que sejas ou eu seja?
Cresce a noite à minha volta,
terei palavras para falar-Te?
E compreenderás Tu este,
não sei qual de nós,que procura
a Tua face entre as sombras?
Quando eu me calar
sabei que estarei diante de uma coisa imensa.
E que esta é a minha voz,
o que no fundo de isto se escuta.

de Nenhum Sítio(1984)
– de Manuel António Pina

 

 

 

 

 

 

 

 Music by G. Costa | Artwork by G. Almeida | poem by Manuel Antonio Pina

 

 

 

 

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Paths

    

(The Winding Way)

part one of two

part two of two

Kafka    (2005  tintas acrílicas s/tela )

 

 

 

 

 

some paths are embued in the sweet fragance of Life’s vigour

others seem to be misconstructions

from the kidnapped souls of bartered inexistence

(where)  

measured resilience

(is an involuntary witness)

– as one stretches beyond elastic limits                                                                   (. )

( , )
(and)

–  life, lost over anguish, hunger, dillusion                                                               (as)

(and)

– time                                                                                                                      (, )
traveled by an electric array of fractal movement through space                           (, )
helplessly implodes into reality.

What of it?

 To lose so much pain on the misery of others

to live
soggily

to barely breathe
through Futility’s nostrils
in tiny fotons of gasps
quantumly taken
from the alleged angel of light

how sad

       how truly
and utterly
vacant  

 

 

Why doesn’t the certainty of an ardently awaiting crowd of maggots

in that proverbial hole in the ground bring forth a will:

– for perception?

– to fathom?

– to be?

– ?

How many faraos?

How many?

How many does it take to see:

– a box full of void?

– death
or its decoy?

Under what firmament will – 
How long before – 

the lifeless celuloide of a thousand broken dreams
of others
for the gain of a mindless mimick of Man

mirror(s) the decay?

What profit is there                                                                                                                        (?)
– to happily wallow in  the shame of an inane existance                                                  (?)
tightly wound,  speeding swiftly and directly into a luke cold state of nothing    (?)

(to be dust under the feet of strangers… )

                                                                                               ?

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I may be gone for a while thus I wish to leave something that always puts smiles all over my insides.

Wishing all a happy remainder of summer.

(take care)

 PART ONE of four

PART TWO of four

PART THREE of four

PART FOUR of four

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Olha para mim e me ama. Não: tu olhas para ti e te amas. É o que está certo. (Clarice Lispector)

© Guida Almeida

E depois saberei como pintar e escrever, depois da estranha mas íntima resposta. Ouve-me, ouve o silêncio. O que te falo nunca é o que eu te falo e sim outra coisa. Capta essa coisa que me escapa e no entanto vivo dela e estou à tona de brilhante escuridão. (…)
Entro lentamente em dádiva a mim mesma, esplendor dilacerado pelo cantar último que parece ser o primeiro.
(… ..)
Nova era, esta minha, e ela me anuncia para já. Tenho coragem? Por enquanto estou tendo:porque venho do sofrido longe, venho do inferno do amor mas agora estou livre de ti. Venho do longe – de uma pesada ancestralidade. Eu que venho da dor de viver.  E não a quero mais.  Quero a vibração do alegre
(… ..)
Será que passei sem sentir para o outro lado? O outro lado é uma vida lantejantemente infernal.  Mas há transfiguração do meu terror: então entrego-me a uma pesada vida toda em símbolos pesados como frutas maduras. (…) Uma parte mínima de lembrança de bom senso de meu passado me mantém roçando ainda o lado de cá.  Ajude-me porque alguma coisa se aproxima e ri de mim. Depressa, salva-me.
Mas… (…)
Mas o quê? a resposta é apenas: sou o quê.  Embora às vezes grite: não quero mais ser eu!!  mas eu me grudo a mim e inextrincavelmente forma-se uma tessitura de vida.

Quem me acompanha que me acompanhe: a caminhada é longa, é sofrida mas é vivida.

(… ..)

O que te escrevo continua e estou enfeitiçada.

Clarice Lispector  –  texto retirado do livro : «Água Viva» 

© Guida Almeida

Gaia   – um trabalho também conhecido através dos nomes
“Gê” ou “Banhista”
110cm x 83cm, tintas acrílicas s/tela, 
© Guida Almeida 2005,
fotografia de Sandra Ramos,
propriedade da Câmara Municipal de Lisboa


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George Mraz: bass / Steve Kuhn: piano / Billy Drummond: drums

 

 

 

 

 

Richie Beirach: piano / Frank Tusa: bass / Jeff Williams: drums

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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E Eu Danço (de Maria Cintra)

Bailarinos © Guida Almeida



E Eu Danço

Estou aqui, na aula de português, de lápis na mão, ao som de música calma e inspiradora.  Várias ideias surgem na minha mente, mas nenhuma me parece apropriada.  E é assim que eu danço, pensando em tudo e em nada, no que tenho de fazer, no que não quero fazer e no que quero mas não posso fazer.

Se pudesse, estaria neste preciso momento num sítio em que não tivesse de me preocupar com nada daquilo que não me interessa.  Um sítio onde pudesse ser eu mesma sem ninguém a perguntar o que estou a pensar, sobre o que estou a escrever, se já fiz isto ou aquilo.  Um sítio onde pudesse gastar o tempo à minha maneira:  escrevendo, lendo, pensando, brincando, relaxando e apreciando o mundo à minha volta.  Mas esse sítio não existe sem que eu o faça existir e para isso teria de ser mais rápida, menos preguiçosa, mais atenta e responsável.  Mas assim, como poderei eu relaxar?  Fazendo todos estas coisas até as acabar apenas me daria alguns minutos extra sem que aqueles que não relaxam me interrompessem.

As vezes ponho-me a pensar:  se os outros não param, como hei-de eu parar?  E assim, quando dou por mim já estou a acordar ensonada para um dia idêntico a todos os outros, sem relaxar nem parar por mais de uns minutos.

A vida é assim mesmo e se não tentarmos parar, nem que seja por um bocadinho, ela leva-nos sem conseguirmos viver a sério.  Porque viver, não é só respirar e fazer os dias todos da mesma maneira.  Viver é fazer com que cada momento seja diferente e melhor do que os anteriores.

E eu danço, ao som da vida que não tenho.  Ao som do que penso, do que escrevo ou do que leio e ao som dos que estão à minha volta e me fazem viver a sério.  Sendo o que eu sou e nada mais.  Vivendo a vida como ela é sem por nem tirar, apenas alterando-a à minha maneira.

E porque tenho de a alterar para poder viver feliz, tenho mesmo de ser menos preguiçosa e mais activa.  Mesmo que assim seja continuarei sempre a desejar que os dias tenham o dobro do tamanho para fazer tudo num dia.  Mas depois percebo de repente que se assim fosse já não haveria nada para fazer, porque quando se tem tempo para tudo, deixa-se de ter tempo para nada.  É verdade que devemos aproveitar cada momento ao máximo, mas por vezes a preguiça leva-nos para o maravilhoso mundo dos pensamentos.

Cada pensamento que existe dentro de mim tem vida própria e mostra-me aquilo que quero ver, ser, viver, sem ter de estar a acontecer mesmo.

E eu danço ao longo da vida e dos pensamentos que a percorrem e que me mostram a dança impossível da mente.

( texto de Maria Cintra – Junho de 2008 )


Percebe-se, sim, percebe-se muito bem que o pai, o tio, certamente a mãe e restante família,  assim como os irmãos e amigos… , tenhamos tanto orgulho…….. (aliás, permitam-me uma correcção:  será provavelmente um sentimento partilhado, acho, mesmo por alguns que não a conheçam, e que gostam de ler algo assim escrito… mesmo sem se ter em conta ela ter tido apenas 10 anos de idade quando escreveu isto………)

  E é um privilégio poder conhecê-la, é mesmo. 

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